quinta-feira, 5 de julho de 2007
Encontro raro
O líquido vermelho brilha na taça pousada no braço do sofá. Bem perto, sai a fumaça, que faz uma pirueta e desenha uma trajetória em direção a janela, vento ensinado. Ela passa em frente à televisão, que guarda suspensa uma cena, congelada há horas. Ao som de um sorriso (ou um suspiro), o animal levanta o focinho e uma das orelhas, tenta entender o sentimento humano. Sorrisos adolescentes, roçar dos cílios, a noite já não é mais uma criança. Em pouco tempo, os primeiros raios vão abrir caminho e interromper o reencontro. A alma, um dia cindida pelos deuses gregos, se prepara para se despedir de seu reflexo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário