quinta-feira, 6 de setembro de 2007

à meia-luz

Já cambaleando, ia-se deixando ao sono. Os cabelos desgrenhados, há muito haviam sido soltos. Embrenhou-se no apartamento à meia-luz que deixara na noite anterior, roçando as paredes. Olhou para a cama enquanto desabotoava a blusa apertada. Passou a mão pela barriga vazia, a língua pela boca seca. Foi à cozinha, ainda havia uma maçã. Apertou-a com os dentes, sorveu seu suco em pequenas mordidas. Saciada, sentou-se no sofá, tombando de lado enquanto subia as pernas lentamente, uma após a outra.
Sentiu o cheiro dele. Olhou ao redor, não havia sinal de nenhuma roupa esquecida. Inspirou novamente, os olhos fechados, atenta a todas as sensações. O cheiro não vinha de fora, mas do suor dele, condensado em seus pêlos. Descansou a cabeça, as mãos por entre os cabelos, o braço sob a nuca.
Entregou-se às lembranças por alguns minutos, rendida pelo cansaço. Seu corpo todo amolecia, seus pensamentos embaralhavam-se entre sensações e sonhos.
Ouviu a voz dele, sussurrando frases desconexas, a voz rouca e macia. Sorriu, estremeceu.
Como que sonâmbula, levantou-se e arrastou-se até o quarto, a boca entreaberta. Deitou-se na cama e sentiu as fibras dos lençóis em sua pele. Sorriu, pensou serem seus pêlos. Abraçou o travesseiro, encaixando-o sob seu queixo. Suspirou e continuou a sonhar.

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