A casa brotou do chão. No início, era tudo mato. Em um dia chuvoso, um carro avança pela rua cheia de barro até parar em uma bifurcação. A porta abre bem ali na ponta do terreno. Cheia de árvores ainda, a área é triangular. O dono olha as árvores e sonha. As ruas seguem pelos dois lados do terreno. O dono vai pela direita, e agora ali é a frente do terreno, ou pelo menos por onde todos vão entrar sempre.
O dono volta outro dia, acompanhado de um sertanejo (antes de tudo um forte) e um menino. A vegetação cai sob foices, machados e até sob o cutelo do menino (ele derruba só pequenas arvorezinhas, mas fica feliz de ajudar). A casa é construída. Bem devagar.
As paredes crescem vermelhas, de tijolo aparente. A varanda, longa, dobra e acompanha toda a parte da casa que está virada para dentro do terreno. Começa na frente do quarto do casal, dobra e passa na frente do quarto do adolescente (alguns anos depois do cutelo). Segue por mais uma porta, depois quebra para a esquerda, defronte das duas portas que saem da sala. E dobra uma última vez, em uma porta grande, que deveria ser a principal, mas nunca foi usada. Dali da ponta da varanda se vê o campinho de futebol, irregular, nem várzea é tão simples (os moleques e os homens simples da região não se importam, batem as peladas felizes e suadas ali).
Ao lado do campinho, um córrego serpenteia por uns 20 metros. O dono do terreno pensa em criar rãs por ali, depois sonha uma piscina. Nunca realiza essa parte do sonho. Mas muito sonho fica pronto por ali. Bem perto, várias árvores são plantadas e formam um pequeno pomar.
Ao lado do pomar há um pequeno barraco com galinhas e atrás delas, um ajuntamento de cana-de-açúcar. Na ponta do triângulo (ali perto de onde o dono sonhou pela primeira vez) está agora uma casa simples, ainda que de tijolo, mas sem pintura ou acabamento. Ali mora o caseiro. Ele cuida do sonho durante a semana.
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